“Nem melhor nem pior”: médico cobra igualdade no tratamento de advogado investigado no Acre

O médico Francisco de Castro Nogueira publicou, nesta sexta-feira (6), uma carta aberta dirigida à magistrada aposentada Solange Fagundes, mãe do ex-vereador e advogado Francisco Valadares Neto, investigado pela Polícia Civil como suposto mandante do assassinato da médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, ocorrido em Brasiléia, no interior do Acre. No documento, o profissional cobra igualdade no tratamento judicial do investigado.

A manifestação demonstra preocupação com uma possível transferência de Valadares Neto para uma unidade hospitalar em São Paulo. Segundo o médico, há relatos de que o quadro clínico do advogado seria estável, o que, na avaliação apresentada na carta, exige esclarecimentos sobre a necessidade de uma remoção para outro estado.

A divulgação da manifestação ocorreu no mesmo dia em que familiares e entidades organizaram um ato público em frente ao Pronto-Socorro de Rio Branco, marcado para as 17h desta sexta-feira (6). A mobilização tem como objetivo cobrar celeridade nas investigações e transparência na apuração do assassinato da médica. Francisco Valadares Neto permanece internado em estado grave, sob custódia policial, enquanto a Polícia Civil dá continuidade às investigações.

Carta na Íntegra:

À Dra. Solange Fagundes

Sobre justiça, influência e a memória da Dra. Elyne de Assis Nogueira

PELO FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Senhora Solange,

A imprensa a apresentou como uma mulher que começou como empregada doméstica e chegou à magistratura pelo mérito. É justamente por causa dessa história que lhe escrevo.

Quem chegou aonde a senhora chegou sabe que o cargo público não pertence a quem o ocupa, e esse compromisso não acaba com a aposentadoria. Usar o prestígio construído no Judiciário para proteger alguém da própria família seria trair a instituição que a senhora serviu.

Entendo a dor de uma mãe e não peço que a senhora deixe de amar seu filho. Peço que ele seja tratado como qualquer cidadão investigado neste país, nem melhor nem pior.

A Dra. Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, também era filha e neta. Também veio do interior do Acre, de origem humilde, e venceu pelo estudo e pelo trabalho. Ela não teve direito a defesa, a transferência nem a segunda chance. O mínimo que se espera é que o processo siga sem atalhos.

Chegam informações de que a família articula a transferência de Francisco Valadares Neto para São Paulo, mesmo havendo relatos de que o quadro dele é estável.

Falo como médico: transferência para UTI em outro estado exige laudo de gravidade, justificativa de que não há recurso aqui, regulação e, para um investigado, autorização judicial.

Se a necessidade existe, que seja comprovada. Quando a informação é escondida, a sociedade só pode concluir que as coisas não são como estão sendo contadas.

A senhora passou a vida pedindo provas antes de decidir. Peço apenas que aplique ao seu filho o mesmo critério que aplicou a tantos outros.

A Justiça que a senhora ajudou a construir agora está sendo testada, e o Acre inteiro está olhando.

Francisco de Castro Nogueira Médico · CRM-AC 3247 Brasiléia (AC), novembro de 2026

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