Em conversa com o Diário do Acre, Raiane Soares do Ó Dias, presidente eleita do primeiro sindicato de fonoaudiólogos da Região Norte, fala sobre jornadas exaustivas, desconhecimento da profissão e o que mudou com a fundação da entidade.
Para Raiane Soares, a fundação do Sindicato dos Fonoaudiólogos do Estado do Acre foi o resultado de um ano de esforço coletivo. “Foi algo que a gente esperava há muito tempo”, disse ela, ao recordar a assembleia realizada no último sábado, em Rio Branco, com a presença de representante do Conselho Regional de Fonoaudiologia. “Para todos foi um marco histórico.”
O processo, ela admite, não foi simples. Entre disputas internas e a dificuldade de mobilizar uma categoria com mais de cem profissionais no estado, organizar o sindicato exigiu persistência. Um detalhe ilustra bem o desafio: a assembleia de fundação foi realizada em um sábado, justamente o dia em que muitos fonoaudiólogos reservam para atender pacientes particulares, após uma semana cheia de compromissos com planos de saúde.
“A vida do fonoaudiólogo aqui no estado é muito corrida. A gente está sempre trabalhando”, disse.
Essa rotina pesada é um dos pontos centrais da pauta do novo sindicato. Raiane conta que a maioria dos colegas ultrapassa 50 horas semanais de trabalho, sem intervalo fixo para almoço. “Geralmente o atendimento começa às sete da manhã, termina ao meio-dia, e às 13h30 já tem que iniciar em outra clínica”, explica. “É um trabalho desgastante, cansativo, mas que a gente faz com amor. E precisa ser valorizado.”
Outro problema que a presidente eleita quer enfrentar é o desconhecimento público sobre o que faz um fonoaudiólogo. Segundo ela, é comum que as pessoas associem a profissão apenas ao trabalho com crianças que têm dificuldades de fala. A realidade, porém, é bem mais ampla.
A fonoaudiologia conta com 15 especialidades reconhecidas, que vão do ambiente hospitalar ao atendimento de idosos, passando por exames auditivos, reabilitação de pacientes oncológicos e acompanhamento de recém-nascidos.
| Especialidade | Descrição |
|---|---|
| Audiologia | Realização de exames auditivos e reabilitação da audição |
| Linguagem | Atuação nas dificuldades de fala, leitura e escrita |
| Motricidade orofacial | Trabalho com mastigação, respiração e deglutição |
| Fonoaudiologia hospitalar | Atendimento a pacientes internados, incluindo casos com traqueostomia |
| Disfagia | Reabilitação de pacientes com dificuldade de deglutição |
| Oncologia | Suporte fonoaudiológico a pacientes com câncer |
| Gerontologia | Atenção às alterações de comunicação e deglutição em idosos |
| Triagem neonatal | Teste da orelhinha e teste da linguinha em recém-nascidos |
“Tem a audiologia, onde você faz exames auditivos. Tem a linguagem, que envolve fala, leitura e escrita. A motricidade orofacial, que trabalha mastigação, respiração e deglutição. Pacientes com câncer que precisam do fonoaudiólogo dentro do hospital. A criança que acabou de nascer e precisa fazer o teste da orelhinha e o teste da linguinha. O idoso com disfagia. O paciente com traqueostomia”, listou Raiane. “Somos muito mais do que ensinar a criança a falar.”


