Depois de quatro anos das ameaças recebidas nas redes sociais por ser de direita e declarar voto em Bolsonaro, a historiadora Julia de Castro obteve na Justiça um acordo que determinou retratações públicas por parte dos envolvidos nos ataques.
A medida decorre de uma audiência realizada em 13 de abril, no 3º Juizado Especial Criminal da Comarca da Capital do Rio de Janeiro.
Conforme o termo de audiência obtido em primeira mão pela reportagem, os autores se comprometeram a publicar vídeos com duração de 20 a 30 segundos na internet, com a legenda “Retratação a Julia de Castro”.
De acordo com o documento, as publicações deverão permanecer disponíveis por 30 dias no Instagram e no X.
A tratativa também prevê que o conteúdo não poderá ser impulsionado nem utilizado em campanha eleitoral ou em mídia paga.
“Conviver com aqueles que ameaçaram a minha integridade física demandou mais que coragem; exigiu esperança de que esse cenário iria mudar para mim e para os jovens de direita que também podem estar nas universidades públicas”, declarou Julia à coluna. “Ser de direita não é um crime. Crime foi o que fizeram contra mim e, agora, responderam por isso. Hoje, sinto-me aliviada e feliz.”
Relembre o caso de Julia de Castro
O caso de Julia remonta a 2022, ano de eleição, quando ela ainda cursava história na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. À época, a jovem passou a sofrer ataques virtuais de colegas da faculdade, após eles descobrirem sua orientação política.
“Seus dias estão contados”, escreveu um dos autores dos insultos. “Vamos ter de amarrar a Bia em uma cadeira para não ter confusão”, publicou outra pessoa.
Em virtude das ofensas, a jovem divulgou o caso em seu Instagram. Em dezembro daquele ano, resolveu acionar a Justiça.


